(Poesia sobre a dor de um jovem africano)
No ventre da noite, o céu se fecha,
Estrelas choram promessas quebradas.
Sou filho de um chão seco e esquecido,
Onde o amanhã nasce com alma cansada.
O universo, com capa de rei,
Assiste calado à dor que me invade.
Como vilão, finge ser meu aliado,
Mas rouba meu pão e minha verdade.
Carrego sonhos num corpo magro,
Luto contra o tempo, a fome e o nada.
Sou jovem, sou África, sou esperança,
Mas meus gritos se perdem na estrada.
Por que o mundo me pesa nos ombros,
Se meu coração só quer florescer?
O universo deveria ser abrigo,
Mas insiste em me ver sofrer.
Ainda assim, ergo-me do barro,
Como raiz que insiste em viver.
Se o universo é vilão da história,
Serei herói — até renascer.


